. terça-feira, 9 de junho de 2009
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Custódio▲ htp://platealta.blogspot.com/2009/05/o-exemplo-do-O autor desse blog anônimo - mais um - que gosta de “caçar pêlos em ovos” (este, especificamente, tem até uma corneta como símbolo), postou entre outras besteiras:“Porém, vejo que trata-se de um bom homem, torcedor do clube, mas sem pulso algum para ser o nosso Fernando Carvalho e mandar a Traffic procurar um time pequeno para sugar o sangue, mandar a W Torre levar sua maquete para a Marginal sem número e mandar todo mundo que se acha maior do que o Palmeiras para o diabo que os carregue.”“Ele é conciliador demais, calmo demais, banana demais.”“O Palmeiras precisava de uma pessoa simplória. Não de um renomado economista, de um poliglota ou de um neuro-cirurgião, mas de uma pessoa que planejasse menos e fizesse mais. “Pois bem. Motivada por essas asneiras, a palmeirense e jornalista Flávia Camargo, resolveu responder ao corneta anônimo, de uma forma inteligente e definitiva.


Se a pretensão é analisar a gestão Fernando Carvalho, o mais prudente é opinar sobre a história narrada em primeira pessoa. O atual diretor de futebol do Internacional concedeu entrevista [perguntas e respostas] à Trivela em 08 de abril/09. Seguem trechos que interessam:Por que o Internacional revela tanto jogador de bom nível? Porque nós temos um trabalho nas categorias de base que é feito com a maior conscientização, dados científicos, profissionais de primeira linha, e a gente cuida muito deste setor. Desde 1996 passamos a trabalhar com planejamento bem avançado, e hoje somos modelo. Ele assumiu a presidência em 2002, mas a reestruturação das bases teve início em 1996, seis anos antes, portanto, da posse. Tai uma informação que eu considero essencial, ponto de partida para qualquer avaliação, e que não consta do texto ‘O Exemplo do Inter’... QUOTE"Aí aconteceu Fernando Carvalho. Não que uma andorinha possa fazer verão, mas a postura do Inter mudou. O time se estruturou no que pode, passou a revelar jogadores em suas divisões de base (Lúcio, Fabio Rochemback, Nilmar, Rafael Sóbis, Alexandre Pato, Daniel Carvalho, entre outros)"Como? Carvalho ‘acontece’ e o Inter passa a revelar jogadores? Assim, do nada? De um momento para o outro, como num passe de mágica...Não. E vale o registro: o zagueiro Lúcio, revelado pelo Internacional na Copinha de 98, não foi formado nas categorias de base do Colorado. Ele já atuava, como profissional, no Gama (DF), desde 96. O volante Rochemback, creio que lá formado, foi revelado em 2000. Ambos, portanto,são revelações anteriores à gestão referida.


O senhor cita desde 96. Foi um período em que estava no começo de uma fase ruim para o Internacional. O que aconteceu de errado nos anos 90?Eu entrei para o clube como advogado, em 1982. De lá pra cá muita coisa aconteceu. Nós tivemos vários embates políticos nesse período, uma turbulência política muito grande em vários momentos do clube, num período em que havia um debate entre Gilberto Medeiros e José Asmuz, duas lideranças que nós tínhamos. Depois com o surgimento do Inter 2000, José Asmuz contra, apoiado pelo Gilberto Medeiros, num primeiro momento, e depois surgimento de um outro movimento de interação. Não sei se isso foi bom ou ruim, em determinados aspectos foi bom, principalmente depois que surgiu o Interação 2000, acho que foi bom o surgimento desses movimentos, porque indicaram de uma forma ou outra um caminho, através da crítica, e o clube acabou se aperfeiçoando. Depois eles se tornaram o poder, não conseguiram ter bons resultados, uma projeção que não produziu avanços para o clube além desses avanços de conscientização e de uma forma de gestão. Então eu acho que, basicamente, neste período, principalmente até o ano de 92, 93, por aí, 94, foi um período de turbulência política no clube. O clube perdeu densidade de conceitos, porque houve praticamente um único grupo que comandou o clube, e esse grupo acabou não avançado em termos de gestãoprincipalmente.


Embate entre duas frentes; rompimento; aliança; poder; conscientização; nova forma de gestão; eleição de um presidente capaz... As semelhanças com a política alviverde não são mera coincidência. Até aqui, trilhamos a mesma estrada. O Inter já está na reta final porque começou a jornada antes. O Verdão? Podemos estimar que em quatro anos...Por que o programa de Sócio Torcedor do Inter e do Grêmio deu tão certo e em outros estados programas similares não?Nós fizemos a partir de 2002 várias ações principalmente de marketing, que não se basearam em campanha, mas em pequenas ações que buscaram trazer o torcedor colorado para dentro do clube, pra fazer com que ele se tornasse sócio. Uma das coisas que nós fizemos foi a visita colorada, ou seja, 25 associados eram sorteados toda terça-feira, vinham ao Beira Rio para fazer uma visitação de quatro horas, terminavam na sala do presidente, e ali durante uma hora faziam críticas, sugestões, pedidos. Quando terminava esse encontro eu pedia para que cada um dissesse se achava que aquela atividade era boa, proveitosa para eles, para que eles indicassem, cada um deles, dois sócios, pra poder participar de uma associação como aquela, desde que estivesse em dia. Além disso, passamos a sortear dois torcedores para viajar com a delegação. Durante a semana, dez torcedores eram sorteados para falar com o vice de futebol, durante os jogos nós sorteávamos a bola do jogo, a camisa do melhor jogador, enfim, várias coisas foram feitas. A partir disso, nós passamos de 10 mil pra 15 mil, de 15 pra 20, daí pra 30, tudo isso aliado ao fato de que o time começava a ganhar dentro de campo. Começamos a modernizar o Beira Rio. A primeira coisa que foi feita sem dinheiro foi pintar o estádio, que ficou com outra cara, com cara de limpo. (...)


55 mil torcedores foram conquistados pelo programa entre o lançamento, em 2002, e a Libertadores 2006. É um número impressionante, atingido pela excelência do trabalho, claro, e que levou quatro anos para ser alcançado. Em 2009? Conta com absurdos 80 mil associados. E o inconsciente coletivo da torcida foi trabalhado, pelo marketing, para apoiar o time. Por quê? Fernando Carvalho responde...(...)Até que na Libertadores da América de 2006, eu me lembro que além de ter o sócio contribuindo e presente nos jogos, era importante ter o sócio auxiliando o time, incentivando os jogadores, e já passamos por várias decisões em casa com derrota, e isso acabava criando uma grande animosidade, então nós contratamos uma agência (agência E21), pra resolver esse problema. Contei essa história, que estou contando aqui para os seus leitores, “olha, nós chegamos na hora da decisão e ninguém acredita que a gente vai ganhar, chega na hora da decisão, no primeiro lateral mal batido já começam as vaias, então, pô, o jogador tem que ter tranquilidade, precisamos resolver isso, e eu quero que vocês façam uma campanha para que isso seja resolvido”. E aí nós fizemos uma campanha, que se denominou “agora é guerra”, e com essa campanha, a torcida começou a vir para o jogo, incentivar o time, associar mais pessoas, e foi uma coisa que foi puxando a outra. Nós acabamos tendo na final da Libertadores 55 mil pessoas, até o final torcendo, incentivando, acreditando. Teve um jogo que foi marcante. Contra o Pumas, a gente estava perdendo por 2 a 0 em casa, uma decisão pra passar de fase, e a torcida acreditou até o final, viramos o jogo no último minuto, ganhamos por 3 a 2. Em cima dessa campanha, eu me lembro que eu mandava torpedo para os associados que tinham celular cadastrado na casa. O Fernandão fazia apelo pelas emissoras, o Clemer, Vitório Piffero. Nós nos mobilizamos de tal maneira que foi construído um inconsciente coletivo positivo.


Nenhuma torcida é responsável pela derrota. O que eu acredito, de verdade, é que uma torcida pode ser, se quiser, corresponsável pela vitória. E o caminho não está nas vaias, está no apoio. Para quem defende a tese com tanta confiança e, há tanto tempo, é importante saber que um dos mais competentes dirigentes do futebol brasileiro compartilha da suposição. E eu não vou esconder que me senti tranquila por pensar assim sem que uma agência publicitária precisasse me vender a idéia. O senhor falou que o Inter continua tendo que vender um jogador por ano. Isso pode mudar?Primeiro, nós não queremos deixar de vender um jogador por ano, isso é estratégico. Nós vendemos o Alex, já tínhamos o Talles, Taison, e já tínhamos contratado o Alecsandro. Já que o Alex estava jogando de meia-atacante. Lá atrás, quando nós íamos vencer o Guiñazu, veio o D’Alessandro e veio o Daniel Carvalho. Então a gente sempre procura projetar com antecedência todas as nossas ações. Agora nós temos o Leo, o Marquinhos, que são atacantes de primeira linha, estão fazendo um trabalho físico especial, então tem que sair alguém pra que eles possam aparecer. Se não for feita a venda, esses jogadores acabam emperrando a carreira, se eles não jogarem eles acabam ficando por aí e não se revelando. A ideia que nós temos é exatamente essa, é continuar mantendo esse sistema. Quanto à parceria, é uma ação de êxito, que nós já fizemos outras vezes, e vamos continuar fazendo. Hoje por exemplo nós temos o D’Alessadro com parceria, Juliano, Danilo Silva, o Nilmar tinha uma parceria com o próprio jogador, e agora acabou comprando todos os direitos dele e tem 20% como parceiro, mas ainda é uma parceria pequena. Então hoje isso é extremamente necessário, mas nós fizemos isso sem perder o mando do jogador. A decisão da venda é sempre do Internacional.


O planejamento do Inter é irretocável e o Palmeiras, sob a direção de pessoas capacitadas para tanto, pode muito bem fazer igual ou mesmo melhor.O Internacional foi campeão do mundo em 2006, depois em 2007 não teve uma campanha boa na Libertadores, e todo mundo imaginou que 2008 seria Desde 2006, o que está faltando pro Inter realizar esse potencial?Bem, nós, a partir da metade do ano passado, houve um grande problema na questão do grupo campeão do mundo. Ficamos na dúvida, vamos desfazer o grupo, vamos manter, ou não, mas aí o jogador já conseguiu tudo, e aí ele não tem mais o mesmo para as grandes competições, e aíficamos naquela dúvida, naquele duplo caminho. Isso acabou nos afetando. Ano passado nós realmente fizemos uma reestruturação no nosso grupo, compramos vários jogadores, o Tite foi contratado, até após a saída do Abel, que pretendíamos que continuasse conosco, mas infelizmente não deu. Com a contratação do Tite as coisas demoraram a se ajustar, mas quando se ajustaram, o Internacional foi campeão sul-americano, enfrentando Boca, Grêmio, Chivas, Estudiantes na final, clubes de primeira linha. Então a gente meio que desaprumou logo depois do Mundial, mas logo depois da metade do ano passado já se aprumou de novo.

Putz, bão que eles passam por uns ‘probleminhas’, vez quando, já que eu desconfio da perfeição. No mais... O exemplo do Inter, grosso modo, é trabalho sério, realizado por gente competente, a longo prazo. E talvez, eu disse talvez, a pressa tenha sido má conselheira, em ações bem pensadas, porém não tão bem executadas, da atual e competente diretoria do Palmeiras. Não há nada, no entanto, que me impeça de acreditar, tampouco que me faça desconfiar, do futuro glorioso que está por vir.